Sic transit gloria mundi



Palavras, meu exílio. Eterna fuga consciente, gloriosa forma de escape, cheias de brilhos e fantasias. Um letra, uma máscara. Uma palavra, uma alma. Uma frase, uma vida. Cada ponto, uma fórmula. Cada linha, uma volição. Cada parágrafo, uma forma incomum que assumo, traços típicos estranhos que empresto, me escondo atrás das páginas empoeiradas, procuro ali o que não tenho. Procuro em meio a capas volumosas, o que não sou; agora, sou Isolda. Sou Medéia. Sou Minerva. Aqui está o meu escudo. Quem me dera ser feiticeira de palavras. Artífice artista. Poetisa. Quem me dera se pudesse modificar e transformar resenhas em magias, rabiscos em fantasia. Palavras. A glória do Mundo.

Pathos


Evito o caminho do pathos, é porque nunca soube lidar com essa vibração humana. Corro a menor aparição de carinho, enquanto ergo minha fortaleza muda. Concedo-me veementemente a propriedade do isolamento muitas vezes assistido, e me agrada o sabor cítrico da santa INDIFERENÇA. Por várias vezes experimentei um veneno célere, quase letal, tão vermelho quanto o amor, e ainda cuido das seqüelas do meu antídoto natural. Viro o rosto diante das chamas das emoções, pois não vou me atrever a tocar nesse fogo mórbido. Observo, mais além, impossível brilho das pedras preciosas tão procuradas. Belezas esculpidas por Vênus, designadas ao prazer de outrem. Sim, sou submissa a gravidade do conformismo, presa numa câmara de mediocridade, possuidora desse dom tão lindo da empatia. Não, minhas mãos velozes não suportam o calores intensos quase divinos, não ouso a idolatrar tão beleza virginal.E lá, na caverna escura e altamente fria, encontro paz.

Minerva


Sou Minerva e todo aquele que ousar tocar o meu Sol ah de se queimar.