O olho que tudo vê / Die alles sehend Auge


Eu vou estar bem aqui quando houver somente pó.
Eu vou estar bem aqui quando irmãos matarem irmãos.
Eu vou estar bem aqui quando o grito desesperado das mulheres ecoar mais alto que os urros e brados de seus maridos guerreiros.
Eu não fraquejarei quando o ar ficar denso, sulfúrico, cortante.
E quando todos me virarem a face, eu continuarei aqui.
E quando você se sentir enjoado somente de pensar na minha presença, não adiantará porque eu vou continuar, bem aqui.
Eu vou estar aqui quando a almas caírem, quando inundarem o planeta com a vergonha.
Eu vou estar bem aqui quando o medo surgir nos olhos de todos.
Pode ser que você se sinta receoso em ouvir o que tenho a dizer.
Mas eu vou estar aqui.
Eu vou estar aqui principalmente quando os meus versos pesados machucarem as suas costas delicadas, macias e sangrentas.
Nem depois que minhas maldições destruírem tua alma eu vou embora. Eu vou estar aqui.
Meu veneno vai contaminar a tua desgraça de vida, a sua sombra não terá coragem de permanecer ao vosso lado, o vento vai deixar de sussurrar o meu nome.
Eu continuarei aqui.
Quando minha poesia secar e se decompor como um cadáver qualquer, eu vou estar bem aqui, eu vou resistir a tudo, até mesmo quando a minha voz ficar estranha aos meus ouvidos e eu começar a ter dúvidas se é minha voz realmente ou são chamados sinistros.
Mas não importa.
Vou ver nascimentos, mortes e filmes.
Vou conhecer tudo inteiramente.
Enquanto isso, eu permaneço aqui, plantada ao chão
Enraizada como árvore..
Estéril.