Anátemas

Não vim aqui para enxugar tuas lágrimas e nem esquentar-te em noites geladas. Eu não
Quero ouvir lamentos de ninguém, nem quero estender minha mão quando um abismo se abrir sob seus pés.
O ar continuará pútrido e o céu irá continuar cinzento.
Não vim agraciar o teu jardim e nem colorir a tua vida.
Eu sou somente mais uma que chega e que vai. Minha existência cheia de malefícios me orgulha. Eu não sou sinônimo de bondade. Sou apenas uma presença que vai te jogar na face as tuas vergonhas e as minhas, que traz o peso do remorso e que não deixa a ferida cicatrizar. Uma pequena mancha de ácido corrosivo, uma caixa de explosivos.
Vim de uma mãe estéril, vim apodrecida.
Minha alma é o açoite de tudo que é romântico, sou carrasca. Posso queimar-te se ousar chegar muito perto e expelir fagulhas na tua felicidade que se alastrará como um fogo-fátuo se alimentando de folhas secas. Meu toque fará gangrenas, meu olhar te entristecerá, porém, nada lhe dirá. Fique longe da minha língua, corra dos meus carinhos, pois não passam de ferrões envenenados. Quando a tua estrada estiver arruinada, tuas pontes destruídas e vosso mundo mais parecer penoso demais para se continuar nele, aventura-te nas minhas marés, nas minhas ondas, nas minhas ressacas. Se não tiver medo, afronta com ímpeto meu rosto cancerígeno. Tua estrela te trouxe até mim, tua estrela é tua traidora. Agora agüente meu veneno, ele é doce e inebriante e calmo. O efeito será ligeiro. Acaricie com graça esta bomba relógio, espere...
Amores matarão.