Lúcido Pesadelo


Sonhos lúcidos. Tão vivos... Monocromos de silêncios gritantes. Quem foi que despejou a desgraça contando esta piada funérea? A confusão caótica jamais foi bela, quem ousou fantasiar essa realidade com um paradoxo árduo? Como uma criança, eu digo: Não quero mais brincar! Acenda-me a luz, por favor. O escuro está muito claro, de tão escuro, está claro! Acendam de uma vez! Eu nunca pedi para estar aqui, alma vivente em contrastes tão macabros...Não quero fazer parte das antíteses, não gosto de comer sobras e não gosto de ombrear o amor com ódio. Falsidades não mais. Não desejo as rosas bonitas e perfumadas e também não quero o sangue... Chegou a minha hora de rejeitar esse cinema sinistro de banquete surreal. Estou exausta de ouvir seu pio funesto, corvo metálico. Volta para a Estinfale, enquanto eu me refaço ao poucos e tomo ânimo para voltar a tranqüilidade. Sempre achei que isso tudo era um sonho, não mais. É difícil reconhecer um letargo... Pesadelos vivos que insistem em quebrar minhas noites de cristal.