Esqueletos Sociais ?


O hábito rotineiro era monocromático, contaminado por fuligem e pouco caso. As trilhas eram (des)coloridas de antipáticos tons cinzentos, sob um teto bravo, repleto de tormentos e empobrecimento, planava lá no alto uma onipresente aparição de consciência, desvelando o caos e cochichando, aos gritos cacofônicos, que nada daquilo ali fazia sentido, era apenas uma seqüencia de acasos frios sem propósitos aconchegantes.
Observando ao meu redor, vejo que não ah ninguém nem nada ali para mim. Meus passos estavam sendo guiados para a inexistência.
Os arranha-céus escuros, cresciam quase que infinitamente e escondiam o cume lá no alto mais alto, sob as nuvens negras colossais, cumulus-nimbus noturnal. Em cada um destes milhões de prédios existem inúmeras janelas e atrás destas janelas existem espectros apreciando sua miséria, com vazios olhos tristes e pensamentos egoístas. Não passava aquilo tudo de uma simples edificação sem moral que engana sobre sua própria existência e que incoerentemente, acreditava em si mesma. As calçadas próximas aos arranha-céus retumbavam um grito sujo de escárnio, ecoando gozo e avacalhação, berrando pelos Deuses e pelas monstruosidades. As ruas tortuosas se encontravam sempre na mesma esquina do acaso, como velhos amigos que se encontram e vão ao cabaré mais próximo.
Algum significado até aqui ? Não... Vamos adiante...Em frente encontro a ética, a moral e o código, juntamente com todo esse tipo de sujeira de leis e religiões de povos doidos, oposições anarquistas de loucos sábios, débeis sonhadores...tudo isso correndo por valas abertas, despejando-se nos bueiros de odor insuportável, misturando a dor da convivência social e o descaso...Faltam as cores alegres, faltam corajosos, falta humanidade. Quem foi que deixou as coisas chegarem a este ponto ? Alguma criança. Alguma criança que caiu no próprio conto e não ah ninguém para salvá-la.
Observo mais atentamente, que lugar é este afinal? Tudo ao redor convergia em um mesmo centro, um buraco esquecido da alma...E até a estátua perdeu sua imponência, vê ela ali, toda destruída sem braços e cabeça ? Pois é, monumento da inexistência...
Hoje, foi um dos dias raros. Dia de desparafusar a porta do meu universo e visitar a órbita alheia, voltei com a certeza de que vale somente minhas utopias pessoas e nada mais, e não é que falta vontade para/com o universo alheio, mas é que sobra apatia somente.