Filosofia


Inebrie tua glória, retumbe a majestade, grite ao ventos os fundamentos de vosso brado, ergue aos céus toda sua sabedoria. Por Clio, que todos os governantes curvem-se diante da Sabedoria do Tempo. Delfos passados, maestros regentes da vida que herdarão as belas artes, orem por todos nós. Da filha de Zeus, Minerva, fará brotar do ventre de Gaia a semente da mais exímia poesia fazendo nascer a mais belo lírio. Grita, mas grita em sussurro, faz levantar aqueles que caíram, com um sopro, que agora dediquem-se a Glória de suas narrativas. Que as infinitas páginas não sejam torturadas pelos pecados de profetas infames que não sentem o leve toque da mão feminina e pesada. Que os olhos daqueles que não acreditam na força da tua justiça sejam cegados pelo brilho da espada. Que sejam embebedados pelo néctar fatal todos aqueles que difamam e desafiam vossa sabedoria. Que sua beleza jamais contemplada, que move céus e terras e fazem dançar as estrelas, ofusque os perdidos e teimosos que insistem em desviar-se do caminho do Olimpo. Que os planetas continuem a girar ao redor do seio da Mãe no ritmo e no ciclo da vida. Que as palavras de todos aqueles que te seguem sejam abençoadas e que possamos carregar pela eternidade, toda a sabedoria de tuas verdades, suaves, inquietantes e por vezes, fulminantes. Alimentada sou eu, que de alma entrego-me a mais bela entre as belas, feliz aqueles que carregam as palavras da Filosofia.


E são as incertezas do caminho da vida que torna tudo tão interessante. Os ventos sopram errantes, diferente do costumeiro e repentinamente entoam uma canção nova e ainda mais bela como os arautos de Zephyros. Sem demais explicações, o alvo aqui não cabe a nenhuma palavra. Não posso deixar que minha inépcia poética macule em junção ás belas palavras que se erguem majestosamente ante os olhos. De onde surgiu e o que pretende, não sei, não me interessa, apenas a contemplação de tamanha arte é o suficiente para suprir minhas necessidades e desejos literários. Vejo aqui, vida demais para uma pequena alma, inconstante e néscia, não sei como devo me comportar. O que resta então? A gloriosa forma de escape. A Torre de Marfim, lá no alto, o universo platônico, meu mausoléu de honras e glórias. Suas paredes são feitas de sonhos interrompidos e desejos não saciados, esperanças mal colocadas como folhas que se perdem com o vento, e como deve ser, encontram o chão, estéril. Não deixo que as incertezas que assolem, não posso assustar-me agora. A face bela será a surpresa, o sentimento será finalmente gratificado, essa é única chance, uma meteórica estrela como esta é mais do que eu precisava para seguir sempre em frente. Com sorriso na face, a estrada árida, deserta e fria da vida se torna um espetáculo colorido e refulgente, a dura realidade já não amedronta. Não são nos leões que se escondem as grandes forças.