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E o passado ainda provoca ecos, fortes e majestosos. Repercutem na cabeça já tão doentia, combustão de nostalgias e algumas dores. Perambula pela rua a noite, no frio, seguindo o vento que sopra errante, não se sente um habitante do mundo, não deste mundo...se confunde nos sentimentos antigos das experiências vividas tendo como companhia amores gelados e sepultados. Nos sonhos, aparece somente quem já se foi e o desejo é por alguém inexistente. Cada lágrima que escorre desgasta ainda mais a face já tão destruída, o peso da vida parece um fardo impossível de se carregar. “Siga em frente!” – murmura a si mesmo, e, ao mesmo tempo, olha para trás por sobre os ombros esperando por algo que não virá. Não se guarda esperança alguma mais, as certezas agora são como a areia que escorre pelo vão da ampulheta. Espera o passado e não olha para o futuro, não cria ambições, não degusta o presente. São pessoas que não nos pertencem, possuem hábitos estranhos, avarentos, chegam quando piscamos os olhos e se vão da mesma estranha forma, se perdem no tempo e o tempo já passou.