Canto ao Nobre


Quando os demônios traiçoeiros dos mundos inferiores resolveram assombrar os fortes e bravos, não se poderia mais voltar. O chão estava manchado com sangue inocente, oculto pelo nevoeiro fúnebre vindo das chaminés dos mundos proibidos. Restaram poucos servos com coragem suficiente para encarar os olhos na face do mal. Deste poucos, sobrou um. Um único ser que aventurou-se pelos portões frios com seu cavalo, provocando estampidos e urros, como uma tempestade castigadora. Caminhava sozinho para sua maquiavélica sina. Berrou para a criatura terrível, os portões abriram-se e o som de mil aves negras e nefastas ecoaram pela imensidão do campo das lamentações. Lá a frente o senhor funéreo esperava o nobre cavalheiro, aproximaram-se...O senhor o golpeou por 3 vezes, por 3 vezes o nobre cavalheiro aguentou. Das montanhas férreas o destino dos camponeses era decidido, precisava ser rápido, a âncora das profundezas estava prestes a emergir e levar de vez para o submundo aquele que cair. O cavalheiro clamou pelos deuses, clamou por Odin e por seus pais e com um suspiro forte, o golpeia certeiramente do lado esquerdo do peito, fazendo os demônios gritarem e pedirem misericórdia, as aves negras da estinfale se desintegraram no ar restando somente o pó dos ossos. E assim caiu o Rei supremo, rei dos reis, o mais viril dentre todos os malditos.

Saudade...


Abóbadas celestes belas como pedras ametistas, cheias de brilhos, glórias e histórias como os olhos dos Deuses. São os olhos sempre vigilantes que a tudo vêem e levantam guarda armada para o longo caminho de todos aqueles que se aventuram nas alamedas da Alma. Dos passos em terra ecoam saudades, do olhar vago para o infinito faz-se viva as lembranças passadas e dolorosamente suportadas, no entanto, são nebulosas e fugazes. As faces que um dia riram sem motivo aparente, hoje já não possuem mais contornos definidos, adquiriram aspecto velho, atrofiado...a face bela que um dia esbanjava vida sublime já não pode mais ser tocada, está desmanchada. A voz nobre a altiva, doce e serena agora faz coro com os sopros angelicais. O olhar terno e inocente de força imensurável já não me passa a mesma segurança de outrora, mas sei que lá do alto de alguma estrela jovem e perdida, seu zelo pela minha paz de espírito continua a assegurar minha humilde existência terrena. Em cada rajada de vento, uma lembrança doce. No raios de um sol tímido de outono e nas folhagens secas dançando pelo ar antes de chegarem ao chão, toques de mãos, dedos que não se entrelaçam mais aos meus. No brilho da lua curiosa, o riso lascivo e brincalhão de um ser que não carrega mais o fardo pesado da existência. Verões risonhos de noites frias forçam-me a trocar o afago do abraço quente e amigo pela dor para sempre inconformada da perda. Soluços reprimidos em cada lágrima acompanhados da esperança de um tempo de nova era, onde juntos, o teatro da vida nos espera para um espetáculo de poesias, surpresas e travessuras. Um dia...