O Tédio


Quando os densos céus pesam como âncoras em almas vítimas de tédio infinito resignadas ao circunflexo horizonte, os dias se arrastam tão tristes e sombrios quanto as noites. Quando o chão da tua morada se transforma em uma masmorra assombrada e a esperança se vai com os uivos dos ventos lá fora e quando as águas, ao derramar seus fios de prata imitando assim as melancólicas grades de uma prisão e a população de aracnídeos tortos construir em nossa cabeça uma teia podre e firme, as badaladas dos sinos lançam no infinito um grito aterrador como almas sem pátria e vadias que gemem como enfermos. Sem sons e incolor, vai passando graciosamente meu espírito doente, de cabeça erguida e empoleirada no alto de pernas torneadas e medrosas. Gritam as esperanças e me consola a angústia, prepotente e sádica, Salva de tiros e aplausos, golpeiam-me e cravam no crânio uma bandeira negra.

Capítulo último - O Fim de um Novo Começo


Mas ainda assim, nos mais distantes confins das órbitas... Onde os ventos trazem folhagens estéreis e cítricas por tensas reflexões sobre o passado, no ermo íntimo de nossa essência, onde só há o vácuo das nossas obras e lembranças, encontraremos a verdade tramada com a perturbação de quimeras reveladoras, aí tu acordará ofegoso e refazendo-se puramente, entornará lamúrias infindáveis. E aqui, leitor meu, chegamos ao fim deste livro traumático e insólito, nefasto e romântico. Porém, não chegamos a ponto de mortos. Logo atrás, nossa furiosa solidão procura nossos olhos para adentrar e lá permanecer por um longo, longo tempo.