Da Frieza


Vós me destes a frieza que nasce das vossas concepções sublimes, isentas de paixões. Dela servi-me para recusar com desprezo os prazeres efêmeros da minha breve viagem e para devolver à minha porta as oferendas, simpáticas porem ilusórias, dos meus semelhantes. Vós me destes a prudência incessante que se decifra a cada passo em vossos métodos admiráveis de análise, síntese e dedução. Delas servi-me para derrotar as artimanhas perniciosas de meu inimigo mortal, para atacá-lo por minha vez e para enfiar nas vísceras do homem um punhal agudo que permanecerá para sempre cravado em seu corpo; pois essa é uma ferida da qual ele não se curará. Vós me destes a lógica, que é como a alma de vossos ensinamentos cheios de sabedoria; com seus silogismos, cujo labirinto complicado é cada vez mais compreensível para mim, minha inteligência viu duplicarem-se suas forças audazes.

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